Introdução
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são investimentos de renda fixa privada que financiam dois dos setores mais importantes da economia brasileira: o mercado imobiliário e o agronegócio.
Esses títulos costumam atrair investidores que buscam maior potencial de rentabilidade e, para pessoas físicas, normalmente oferecem isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos, conforme a legislação vigente.
Neste guia você entenderá como funcionam os CRIs e CRAs, quais são suas principais diferenças, como ocorre a remuneração e em quais situações esses investimentos podem contribuir para uma carteira diversificada.
O que são CRI e CRA?
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são títulos de renda fixa privada emitidos por companhias securitizadoras.
Essas empresas transformam direitos de recebimento futuros — conhecidos como recebíveis — em títulos negociáveis no mercado financeiro.
Ao investir em um CRI ou CRA, o investidor financia operações ligadas ao setor imobiliário ou ao agronegócio e recebe remuneração conforme as condições definidas na emissão.
Como funciona esse processo?
O funcionamento ocorre em quatro etapas principais:
- Empresas possuem valores que serão recebidos no futuro.
- Esses recebíveis são cedidos a uma companhia securitizadora.
- A securitizadora emite CRIs ou CRAs para captar recursos dos investidores.
- Os pagamentos realizados pelos devedores financiam a remuneração dos investidores.
Como funciona um CRI ou CRA
| Etapa | O que acontece |
| 1. Recebíveis | Empresas possuem valores a receber futuramente. |
| 2. Securitização | Os recebíveis são cedidos à companhia securitizadora. |
| 3. Emissão | A securitizadora emite CRIs ou CRAs para captar recursos. |
| 4. Investimento | O investidor recebe remuneração conforme as condições da emissão. |
💡 Dica RENDEXIS
Diferentemente de um CDB, em que você empresta dinheiro diretamente ao banco, nos CRIs e CRAs seu investimento está vinculado aos recebíveis originados de operações imobiliárias ou do agronegócio. Por isso, compreender a qualidade desses ativos é parte essencial da análise.
Qual é a diferença entre CRI e CRA?
Embora tenham estrutura semelhante, a principal diferença está na origem dos recebíveis que lastreiam cada investimento.
CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários
Os recursos captados costumam financiar operações ligadas ao mercado imobiliário, como:
- financiamentos imobiliários;
- empreendimentos residenciais;
- imóveis comerciais;
- incorporações imobiliárias.
CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio
Os recursos são destinados ao financiamento de atividades do agronegócio, incluindo:
- produção agrícola;
- pecuária;
- armazenamento;
- logística;
- comercialização de produtos agropecuários.
Comparativo entre CRI e CRA
| Característica | CRI | CRA |
| Setor financiado | Mercado imobiliário | Agronegócio |
| Origem dos recebíveis | Operações imobiliárias | Operações do agronegócio |
| Emissor | Companhia securitizadora | Companhia securitizadora |
| Categoria | Renda fixa privada | Renda fixa privada |
📌 Resumo
CRI e CRA são investimentos de renda fixa privada emitidos por companhias securitizadoras. A principal diferença entre eles está no setor econômico financiado: o CRI direciona recursos ao mercado imobiliário, enquanto o CRA financia atividades do agronegócio. Ambos transformam recebíveis em títulos negociáveis para captar recursos junto aos investidores.
Como ocorre a rentabilidade?
Assim como outros investimentos de renda fixa, CRIs e CRAs podem oferecer diferentes formas de remuneração, dependendo das características de cada emissão.
As modalidades mais comuns são:
Pós-fixada
A remuneração normalmente acompanha um percentual do CDI.
Prefixada
A taxa é conhecida no momento da aplicação, proporcionando previsibilidade caso o investimento seja mantido até o vencimento.
Híbrida
Combina a variação da inflação (IPCA) com uma taxa fixa.
Exemplo:
IPCA + 7% ao ano.
Comparativo das formas de remuneração
| Modalidade | Características | Mais indicada para |
| Pós-fixada | Acompanha um percentual do CDI. | Cenários de juros variáveis. |
| Prefixada | Taxa conhecida desde a aplicação. | Quem busca previsibilidade. |
| Híbrida | IPCA + taxa fixa. | Proteção contra a inflação em prazos maiores. |
⚠️ Atenção
Apesar da estrutura semelhante aos demais investimentos de renda fixa, cada emissão de CRI ou CRA possui características próprias. Antes de investir, avalie cuidadosamente o tipo de remuneração, o prazo e os riscos envolvidos na operação.

Embora financiem setores diferentes da economia, CRIs e CRAs possuem estrutura semelhante e fazem parte da renda fixa privada.
CRI e CRA pagam Imposto de Renda?
Uma das principais vantagens desses investimentos é o tratamento tributário concedido às pessoas físicas.
De acordo com a legislação vigente, os rendimentos dos CRIs e CRAs normalmente são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. Essa característica pode aumentar a rentabilidade líquida em comparação com investimentos sujeitos à tributação.
Mesmo com esse benefício, a comparação entre investimentos deve considerar também o prazo, o risco e a rentabilidade líquida efetiva.
Comparativo tributário
| Investimento | IR para Pessoa Física* |
| CRI | Geralmente isento |
| CRA | Geralmente isento |
| CDB | Tributação regressiva |
| Tesouro Direto | Tributação regressiva |
*Conforme a legislação vigente.
💡 Dica RENDEXIS
A isenção de Imposto de Renda pode tornar um CRI ou CRA bastante competitivo. Entretanto, nunca escolha um investimento apenas pelo benefício tributário. Avalie também os riscos da operação e a qualidade dos recebíveis.
CRI e CRA possuem garantia do FGC?
Não.
Ao contrário de investimentos como CDBs, LCIs e LCAs, os CRIs e CRAs não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Isso significa que o risco está diretamente relacionado:
- à qualidade dos recebíveis;
- às garantias da operação;
- à estrutura da emissão.
Antes de investir, é importante compreender cuidadosamente esses aspectos.
Comparativo de proteção
| Investimento | Possui FGC? |
| CRI | ❌ Não |
| CRA | ❌ Não |
| CDB | ✅ Sim |
| LCI | ✅ Sim |
| LCA | ✅ Sim |
Quais são os riscos?
Apesar do potencial de rentabilidade, CRIs e CRAs apresentam riscos importantes que devem ser analisados antes da aplicação.
Risco de crédito
Existe a possibilidade de inadimplência dos devedores responsáveis pelos recebíveis que lastreiam a emissão.
Risco de mercado
Os preços podem variar antes do vencimento, principalmente em períodos de mudanças nas taxas de juros da economia.
Risco de liquidez
Nem sempre existe facilidade para vender CRIs e CRAs antes do vencimento no mercado secundário.
Por isso, muitos investidores mantêm esses títulos até o prazo final.
Risco da estrutura da operação
Cada emissão possui características próprias.
Entre elas:
- garantias;
- fluxo de pagamentos;
- mecanismos de proteção ao investidor.
Esses fatores devem ser cuidadosamente analisados antes da aplicação.
Principais riscos
| Tipo de risco | O que significa |
| Crédito | Possibilidade de inadimplência dos recebíveis. |
| Mercado | Oscilações no valor antes do vencimento. |
| Liquidez | Dificuldade para vender o título antecipadamente. |
| Estrutura | Características específicas de cada emissão. |
Quais são as vantagens?
Mesmo apresentando riscos, CRIs e CRAs oferecem características que atraem investidores que desejam diversificar a carteira.
Entre os principais benefícios destacam-se:
- isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme a legislação;
- potencial de rentabilidade competitivo;
- diversificação da carteira;
- financiamento dos setores imobiliário e do agronegócio;
- diferentes prazos e modalidades de remuneração.
Principais vantagens
| Benefício | Impacto para o investidor |
| Isenção de IR | Pode aumentar a rentabilidade líquida. |
| Rentabilidade competitiva | Alternativa interessante dentro da renda fixa privada. |
| Diversificação | Amplia as possibilidades da carteira. |
| Financiamento da economia | Participação em setores estratégicos do país. |
| Diversidade de emissões | Diferentes prazos e formas de remuneração. |
📌 Resumo
CRIs e CRAs geralmente oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por isso, a análise dos recebíveis, da estrutura da operação, das garantias e da qualidade da emissão torna-se essencial para uma decisão de investimento bem fundamentada.
⚠️ Atenção
A ausência da cobertura do FGC torna a análise da emissão muito mais importante do que em outros investimentos de renda fixa. Antes de investir, verifique a qualidade dos recebíveis, as garantias da operação, a classificação de risco (quando disponível) e o prazo do investimento.

CRI e CRA podem complementar uma carteira diversificada quando seus riscos são compatíveis com os objetivos do investidor.
Como avaliar um CRI ou CRA?
Como esses investimentos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a análise da emissão é um dos aspectos mais importantes da decisão de investimento.
Antes de investir, o guia recomenda avaliar cuidadosamente:
- qualidade dos recebíveis;
- empresa securitizadora;
- garantias da operação;
- classificação de risco (rating), quando disponível;
- prazo do investimento;
- liquidez;
- tipo de remuneração;
- compatibilidade com seus objetivos financeiros.
Checklist para análise
| O que avaliar | Importância |
| Recebíveis | Fonte da remuneração do investimento. |
| Securitizadora | Responsável pela emissão do título. |
| Garantias | Aumentam a segurança da operação. |
| Rating | Auxilia na avaliação do risco de crédito. |
| Prazo | Deve estar alinhado ao planejamento financeiro. |
| Liquidez | Importante para quem pode precisar vender antes do vencimento. |
| Remuneração | Define a forma de rendimento do investimento. |
💡 Dica RENDEXIS
Em CRIs e CRAs, uma boa análise da emissão costuma ser mais importante do que buscar apenas a maior rentabilidade anunciada. Avaliar os recebíveis, as garantias e a estrutura da operação podem reduzir significativamente os riscos do investimento.
CRI, CRA ou Debêntures?
Embora todos façam parte da renda fixa privada, existem diferenças importantes entre esses investimentos.
Comparativo
| Característica | CRI / CRA | Debêntures |
| Emissor | Companhia securitizadora | Empresas |
| Finalidade | Recebíveis imobiliários ou do agronegócio | Captação direta de recursos pelas empresas |
| FGC | Não | Não |
| IR para Pessoa Física | Geralmente isento | Apenas nas debêntures incentivadas, quando aplicável |
| Remuneração | Prefixada, pós-fixada ou híbrida | Prefixada, pós-fixada ou híbrida |
Exemplo prático
Marcelo possui uma carteira diversificada composta por:
- Tesouro Direto;
- CDBs;
- LCIs;
- Fundos Imobiliários.
Buscando ampliar sua diversificação, ele analisa diferentes emissões de CRIs.
Após estudar cuidadosamente os recebíveis, as garantias, a classificação de risco e o prazo do investimento, decide aplicar apenas uma pequena parcela do patrimônio nesse tipo de ativo.
Essa estratégia permite buscar maior potencial de retorno sem comprometer o equilíbrio geral da carteira.
Erros comuns
Ao investir em CRIs e CRAs, alguns erros podem comprometer os resultados.
Evite:
- investir apenas pela isenção de Imposto de Renda;
- ignorar os riscos da operação;
- acreditar que CRIs e CRAs possuem garantia do FGC;
- deixar de analisar os recebíveis e as garantias;
- concentrar grande parte do patrimônio em um único título.
A diversificação continua sendo uma das estratégias mais eficientes para reduzir riscos em uma carteira de investimentos.
📌 Resumo
CRIs e CRAs são investimentos de renda fixa privada que podem oferecer rentabilidade competitiva e, para pessoas físicas, geralmente contam com isenção de Imposto de Renda. Entretanto, como não possuem cobertura do FGC, exigem análise criteriosa da emissão, dos recebíveis, das garantias e do risco antes da aplicação.
⚠️ Atenção
CRIs e CRAs não são investimentos indicados para serem escolhidos apenas pela rentabilidade ou pela isenção tributária. Avaliar a qualidade da emissão, o risco de crédito, a liquidez e a compatibilidade com sua estratégia de investimentos são fundamental antes da decisão.
Conclusão
Os CRIs e CRAs permitem ao investidor participar do financiamento de setores estratégicos da economia brasileira, como o mercado imobiliário e o agronegócio.
Além do potencial de rentabilidade, esses investimentos normalmente oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme a legislação vigente. Em contrapartida, a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos torna indispensável uma análise criteriosa da emissão e dos riscos envolvidos.
Ao compreender essas características e utilizá-los de forma equilibrada dentro da carteira, CRIs e CRAs podem contribuir para uma estratégia de diversificação consistente.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que significa CRI?
CRI é a sigla para Certificado de Recebíveis Imobiliários, um título de renda fixa lastreado em créditos do setor imobiliário.
O que significa CRA?
CRA significa Certificado de Recebíveis do Agronegócio, um título lastreado em créditos relacionados ao agronegócio.
CRI e CRA possuem garantia do FGC?
Não. Esses investimentos não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
CRI e CRA pagam Imposto de Renda?
Para pessoas físicas, os rendimentos normalmente são isentos de Imposto de Renda, conforme a legislação vigente.
Vale a pena investir em CRI e CRA?
Depende dos seus objetivos, do perfil de risco e da análise da emissão. Esses investimentos podem complementar uma carteira diversificada, desde que seus riscos sejam compreendidos.
Continue aprendendo na RENDEXIS
Aprofunde seus conhecimentos com outros conteúdos relacionados:
- O que é Renda Fixa?
- Debêntures: O Que São e Como Funcionam
- CDB: O Que É e Como Funciona
- LCI e LCA: Vale a Pena Investir?
- Tesouro Direto: Como Funciona e Como Investir
- Como Escolher o Melhor Investimento em Renda Fixa
- Diversificação de Investimentos
- Risco e Retorno.
Fontes Oficiais
Para consultar informações atualizadas e aprofundar seus estudos, utilize sempre fontes oficiais:
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
- Banco Central do Brasil
- B3
- Receita Federal do Brasil
- Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).
CTA – Diversifique sua carteira com conhecimento
CRI e CRA podem ser excelentes instrumentos para diversificar uma carteira de investimentos, especialmente para quem busca exposição ao mercado imobiliário e ao agronegócio por meio da renda fixa privada. A decisão, porém, deve sempre considerar a qualidade da emissão, os riscos envolvidos e seus objetivos financeiros.
Na RENDEXIS, você encontra conteúdos completos sobre renda fixa, diversificação, planejamento financeiro e estratégias de investimento para tomar decisões cada vez mais conscientes.
Aviso legal: Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. As informações apresentadas não constituem recomendação de investimento, consultoria financeira, jurídica ou tributária. Antes de tomar decisões financeiras, avalie sua situação específica e, se necessário, consulte um profissional qualificado.

